Domingo de Páscoa « Pró-Vocações e Missões Franciscanas – Província Franciscana da Imaculada Conceição
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Artigos, Destaque 3, Notícias › 16/04/2017

Domingo de Páscoa

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No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus,
bem de madrugada, quando ainda estava escuro,
e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
Então ela saiu correndo
e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo,
aquele que Jesus amava,
e lhes disse: ‘Tiraram o Senhor do túmulo,
e não sabemos onde o colocaram.’
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo
e foram ao túmulo.
Os dois corriam juntos,
mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro
e chegou primeiro ao túmulo.
Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão,
mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo.
Viu as faixas de linho deitadas no chão
e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não posto com as faixas,
mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo,
que tinha chegado primeiro ao túmulo.
Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura,
segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação.

Entendendo a ressurreição – Pe. João Batista Libânio, sj

Nós somos muito curiosos e, diante desse mistério da ressurreição, procuramos alguma maneira de entender o que aconteceu com Jesus. Nós só temos um caminho para aproveitar as nossas experiências e prolongá-las até o momento de dizer: “Agora eu tenho alguma ideia!”.

Vou tentar mostrar para vocês, como a própria natureza vai-nos ensinando a compreender o mistério da ressurreição. Observem uma pedra num jardim. Se não houver nada, depois de dez, vinte anos, a pedra estará lá, tal qual, porque ali há um mundo que é mínimo. Pode haver movimento de prótons, átomos, mas tudo fica parado naquela pedra. O espiritual aí é quase nada, um mínimo de movimento. Mas se vocês observarem uma planta, vão ver que é diferente.

Passa um tempo e vão ver que ela cresceu. Parece que ela tem um pouco de espírito. Ela consegue subir, esticar seus braços, cobrir-se com suas sombras. É um mínimo de vida. Parece que ela vai mostrando para nós que a vida consegue expandir-se. Mas as raízes a prendem. Você não consegue ver árvores dançando de alegria, porque elas estão agarradas ao solo, mas crescem. Conseguem mostrar que são mais espirituais que a pedra. Que são capazes de expandir-se.

Olhemos para o animal. O animal já se move. Ele não só tem vida, mas a sua vida se expande. Mesmo sendo animal irracional, ocupa tempo e espaço. Um espaço razoável, e alguns até migram e fazem viagens longas por si mesmos. Atravessam até oceanos. Os animais andam. Eles são mais espirituais que a pedra, mais espirituais que a árvore, porque caminham.

Agora olhem pra nós, seres humanos. Parece que Jesus quis mostrar que temos coisas muito parecidas com a ressurreição. Eu estou preso aqui a este lugar. Não posso sair daqui nesta hora, estou ligado ao tempo e ao espaço. Mas a minha palavra é uma só e ela vai, atinge. E se eu tivesse um rádio, uma televisão, poderia atingir mais pessoas.

Portanto, a palavra é algo muito espiritual. É uma ideia, é um conceito. Nós podemos, aqui, fechar os olhos e dizer: ‘Eu amo os chineses, eu amo Cingapura’ e aí meu amor é capaz de abarcar tantas pessoas. Agora imaginem que não a minha palavra, mas o meu amor é que abarca tantas pessoas. É divino. É o Cristo ressuscitado.

O Cristo ressuscitado é aquele que não está mais ligado, como eu estou ligado aqui ao tempo e ao espaço.

Ele está aqui, está em Roma, está em qualquer lugar. É como a minha palavra, é como o meu amor. Portanto, não é nenhuma magia. É algo que nós podemos entender a nosso modo, comparando, porque o amor também não está preso. Que o digam as mães, que têm filhos longe, se o amor está preso. Não. O amor é capaz de abarcar quatro, cinco filhos em lugares diferentes, porque vem do coração de mãe. É amor e ele não está ligado ao tempo e espaço.

Outra imagem, bem simples, para entendermos o mistério da ressurreição. Olhem para um casulo. Nosso corpo é um casulo e, dentro dele, tece-se uma vida. E vai tecendo: dez, vinte, quarenta até cem anos, como essa senhora que está aqui. Esta vida vai tecendo e chega um momento em que ela já não cabe no casulo, como a larva não cabe no casulo. Ela rasga o casulo e dele sai aquela borboleta linda, de asas azuis voando.
É o Cristo ressuscitado. O corpo Dele – aquela larva tecida nos trinta, quarenta anos que Ele viveu – não cabe mais no casulo. O amor foi crescendo, crescendo. E houve um momento em que o casulo do seu corpo não mais segurou esse mistério de sua presença que expande e atravessa todos os tempos e espaços.

Esse é o Cristo glorioso. É como a borboleta que voa, mas não a borboleta inseto. É o amor infinito de Jesus. Ele pode mostrar-se em todas as partes, em todos os tempos. É por isso que, em qualquer momento da nossa vida, Ele está bem perto de nós. Em qualquer tempo, em qualquer hora, basta ter fé para ver. Nada mais. Não precisa de esforço. É como aquele filho que sai e sabe que sua mãe o ama em qualquer momento, como aquele filho da parábola do filho pródigo: “Lá na casa do meu pai os escravos estão melhores do que eu”. Ele tinha certeza de que, quando pensou em voltar para casa, o seu pai pensava também nele. Os amores se cruzaram e ele se levantou e voltou à casa de seu pai.

Para que os nossos amores aconteçam e se cruzem, só depende da nossa linha que atravessa todos os lados. Qualquer risco que nós fizermos, cruzaremos com as outras linhas. Porque as linhas do amor de Jesus são tão grandes, são uma rede muito mais tecida do que uma teia de aranha, muito mais tecida do que os nossos tecidos. E aí basta um riscozinho e já encontramos o amor do Senhor.

É essa certeza que nos dá alegria de viver. É o que nos faz aproximar do momento em que o nosso casulo também se romperá, que a larva da nossa história, da nossa existência, da nossa vida não caberá mais neste casulo e não haverá médico, nem remédio que poderá nos deter.

O Espírito não tem limite. É a nossa grande riqueza, a nossa grande alegria, mas também a nossa grande impotência. Porque ele é insaciável, é infinito. E nascemos para o infinito, caminhamos para o infinito, encontraremos o infinito. Amém.

Pe. João Batista Libânio – Um outro olhar, vol. 1