Santa Clara de Assis « Pró-Vocações e Missões Franciscanas – Província Franciscana da Imaculada Conceição
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Artigos, Destaque 2, Notícias › 11/08/2017

Santa Clara de Assis

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Clara nasceu em Assis, no ano 1193, no seio de uma família da nobreza italiana, muito rica, onde possuía de tudo. Porém o que a menina mais queria era seguir os ensinamentos de Francisco de Assis. Aliás, foi Clara a primeira mulher da Igreja a entusiasmar¬-se com o ideal franciscano. Sua família, entretanto, era contrária à sua resolução de seguir a vida religiosa, mas nada a demoveu do seu propósito.
No dia 18 de março de 1212, aos 19 anos de idade, fugiu de casa e, humilde, apresentou-¬se na igreja de Santa Maria dos Anjos, onde era aguardada por Francisco e seus frades. Ele, então, cortou-¬lhe o cabelo, pediu que vestisse um modesto hábito de lã e pronunciasse os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência.

Depois disso, Clara, a conselho de Francisco, ingressou no Mosteiro Beneditino de São Paulo das Abadessas, para ir se familiarizando com a vida em comum. Pouco depois, foi para a Ermida de Santo Ângelo de Panço, onde Inês, sua irmã de sangue, juntou-¬se a ela.

Pouco tempo depois, Francisco levou-¬as para o humilde Convento de São Damião, destinado à Ordem Segunda Franciscana, das monjas. Em agosto, quando ingressou Pacífica de Guelfúcio, Francisco deu às irmãs sua primeira forma de vida religiosa. Elas, primeiramente, foram chamadas de ‘Damianitas’, depois, como Clara escolheu, de ‘Damas Pobres’, e finalmente, como sempre serão chamadas, de ‘Clarissas’.
Em 1216, sempre orientada por Francisco, Clara aceitou para a sua Ordem as regras beneditinas e o título de abadessa. Mas conseguiu o ‘privilégio da pobreza’ do papa Inocêncio III, mantendo, assim, o carisma franciscano. O testemunho de fé de Clara foi tão grande que sua mãe, Ortolana, e mais uma de suas irmãs, Beatriz, abandonaram seus ricos palácios e foram viver ao seu lado, ingressando também na nova Ordem fundada por ela.

A partir de 1224, Clara adoeceu e, aos poucos, foi definhando. Em 1226, Francisco de Assis morreu, e Clara teve visões projetadas na parede da sua pequena cela. Lá, via Francisco e os ritos das solenidades do seu funeral que estavam acontecendo na igreja. Anteriormente, tivera esse mesmo tipo de visão numa noite de Natal, quando viu, projetado, o presépio, e pôde assistir ao santo ofício que se desenvolvia na igreja de Santa Maria dos Anjos. Por essas visões, que pareciam filmes projetados numa tela, santa Clara é considerada Padroeira da Televisão e de todos os seus profissionais.

Depois da morte de são Francisco, Clara viveu mais 27 anos, dando continuidade à obra que aprendera e iniciara com ele. Outro feito de Clara ocorreu em 1240, quando, portando nas mãos o Santíssimo Sacramento, defendeu a cidade de Assis do ataque do exército dos turcos muçulmanos.

No dia 11 de agosto de 1253, algumas horas antes de morrer, Clara recebeu das mãos de um enviado do papa Inocêncio IV a aguardada bula de aprovação canônica, deixando, assim, as sua ‘irmãs clarissas’ asseguradas. Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV a proclamou santa Clara de Assis.

Texto: Paulinas Internet


 Santa Clara: modelo de santidade

Santa Clara é o verdadeiro modelo de santidade e de entrega ao Senhor, de tal forma que continua interpelando hoje a todos os que, de coração sincero e aberto, aproximam-se de sua vida exemplar na vivência das virtudes cristãs. Não é tão necessário deter-nos, agora, na descrição geral da vida de Santa Clara porque a conhecemos suficientemente. Vale mais fixar-nos no estilo de vida que ela viveu, refletindo sobre aquelas atitudes em que ela é exemplo e modelo para que também nós nos empenhemos em vivê-las em nossa vida.

Sendo ainda muito jovem, descobriu, através das pregações e dos conselhos de Francisco de Assis, que Deus a chamava à santidade, especialmente quando o ouve dizer: “Este é o tempo favorável, esta é a hora; chegou o tempo de dirigir-me a Ele que me fala ao coração já faz algum tempo; chegou a hora de optar, de escolher”. Clara se vê envolvida nestas palavras e inicia seu caminho de discernimento vocacional, intuindo que Deus a chama para uma entrega total a Ele, vivendo um estilo de vida parecido ao de São Francisco. Confiando profundamente em Deus, opta por este caminho. Hoje, nós, ao escutarmos novamente estas palavras, pensamos, por assim dizer, no impulso, no empurrão de que todos temos necessidade para seguir nossa vocação e que pode ser um acontecimento, um encontro, uma determinada pessoa. São momentos de graça que nos ajudam a ver com os olhos do coração o que Deus quer e nos ajudam a decidir-nos para seguir a voz de seu chamado.

Clara, aos dezenove anos de idade, no frescor e no vigor de sua juventude, começa a doar a sua existência ao “Rei” de sua alma. Começa a buscar não tanto as obras do Reino, mas busca o próprio “Rei”. Em outras palavras, ela se deu conta de que, uma vez encontrando o “Rei”, é possível construir o Reino. A vida de Clara foi um amor apaixonado por Jesus Cristo e, a partir d’Ele, ela se tornou transparência, sinal, sacramento existencial de sua presença e de seu mistério. Jesus Cristo, pobre e crucificado, é o tesouro incomparável, o seu rosto é formoso, o seu amor é suave. Contemplando-o, Clara descobre a razão de ser e a meta última da sua vocação. Junto a Jesus está sempre sua bendita Mãe, a Virgem Maria, por quem cultiva fervorosa devoção.

Clara centra sua vida toda em Jesus, não como um refúgio para fugir das dificuldades do mundo, mas para empenhar-se na construção da história humana conforme o projeto de Deus. Jesus Cristo é alimento e vida na Eucaristia. Em muitos templos católicos, encontramos imagens de Santa Clara, e chama particular atenção aquela em que ela está abraçando, junto ao seu coração, Jesus Eucarístico. Como Francisco, Clara se mostra enamorada por Deus e não pode fazer outra coisa que abraçá-lo, ou melhor dito, deixar-se abraçar por Ele, pelo seu Filho Jesus. Ao contemplar Santa Clara, também nós desejamos que Deus nos faça sentir o seu abraço, porque só Nele sabemos quem somos e só nele podemos reconhecer que ao nosso lado há irmãos e irmãs que esperam tanto de nós e a quem podemos dar algo que às vezes não queremos dar.

Clara, mostra-nos a vontade do Senhor, quando a vida se torna árdua e difícil. Clara, nos ensina a amar, mesmo quando o amor não é amado nem compreendido. Clara, envia-nos, para os lugares que precisam de nossa presença e do nosso amor. Clara, pobre como o Cristo pobre e Crucificado, ajuda-nos a viver sem nada de próprio como prometemos ao Senhor. Clara, alma escondida em Deus, ensina-nos a sermos fiéis, e a levar a sério o nosso voto de clausura, por amor a Cristo e à mãe Igreja. Clara, alma ardente de amor e de ternura, ensina-nos a contemplar os mistérios da cruz e da ressurreição. Clara luz, ilumina o nosso coração na chama do amor, para vivermos com paixão e audácia a nossa vocação. Clara, irmã Clara, fonte de ternura e amor, ensina-nos a amar e acolher nossas irmãs, como são amadas e acolhidas pelo Senhor. Clara, nossa Forma de Vida é o Santo Evangelho, ensina-nos a vivê-lo concretamente e a sermos verdadeiras testemunhas do amor e da Misericórdia de Deus para com toda humanidade.

Somos chamadas a ser outras Claras no mundo de hoje, testemunhando o Evangelho, sendo anunciadoras da boa nova para cada irmã e irmão que convive conosco, na dor e na alegria, como Clara que assumiu por amor cada uma de suas irmãs, presentes e futuras, como dom de Deus. Que nossa mãe Santa Clara e nosso pai São Francisco nos iluminem, para fazermos a vontade do Senhor!

Ir. Maria José da Mística, OSC.