Veja como foi o Retiro dos Benfeitores « Pró-Vocações e Missões Franciscanas – Província Franciscana da Imaculada Conceição
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Veja como foi o Retiro dos Benfeitores

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Agudos (SP) – Os mais de 100 benfeitores que participam do Retiro do Pró-Vocações e Missões Franciscanas, no Seminário Santo Antônio, em Agudos (SP), ouviram o Definidor da Província da Imaculada e guardião da Fraternidade do Postulantado Frei Galvão, Frei João Francisco da Silva, insistir que Francisco é o ideal que nós podemos oferecer às pessoas como oportunidade de resgate de sua dignidade, de resgate da sua humanidade. Segundo o frade, a humanidade está perdida. “E nós precisamos dar esse sentido humano às pessoas. É nossa grande contribuição como franciscanos”, propôs.

Frei João Francisco, que deixou tudo para se tornar um seguidor de São Francisco aos 33 anos, abordou o tema “Francisco, o irmão universal”. O frade, na Oração da Manhã, feita no lado externo do Seminário, falou da importância da oração para Francisco de Assis e de sua necessidade ainda maior num mundo agitado e sem tempo para Deus como o que vivenciamos hoje. Ali mesmo deu início ao tema da fraternidade universal. “Tudo é concluído por Francisco no ‘Cântico das Criaturas’. Na verdade não é uma conclusão, mas um chamado que Francisco nos deixa para colocarmos em prática nos gestos e atitudes. O ‘Cântico’ é o grande testamento espiritual de Francisco. É isso o que ele entende como uma fraternidade universal”, disse o frade, dizendo que estava muito à vontade entre os benfeitores porque sua mãe, Dª Maria Lenita, que faleceu há pouco tempo, também era uma benfeitora fiel do PVF.

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Para desenvolver o tema, o frade começou falando quem é Francisco de Assis, depois partiu para desdobramentos do tema principal, como “o louvor em Francisco; a fraternidade universal; Francisco, irmão de toda a criatura; a conversão do olhar; o irmão que cuida dos irmãos; a Carta da Terra; a situação global e responsabilidade universal”. Neste sábado, dia 22, Frei João continuará no tema, abordando a ecologia em São Francisco, coincidentemente no dia em que se comemora o Dia da Terra. “Esta data também nos lembra o descobrimento do Brasil, que foi marcado pela presença franciscana”, recordou.

Segundo o frade, esse sonho de Francisco pela fraternidade universal perpassa nossa vida, deve passar pelo nosso coração e chegar às nossas mãos. “Eu penso que a figura de Francisco, o irmão universal, é bastante inspiracional para todos nós”, disse, referindo-se à grave crise que enfrenta a humanidade hoje.

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SER PRESENÇA FRANCISCANA

Frei João falou da importância de ser presença franciscana no mundo. E lembrou que uma vez um aldeão disse a São Francisco: “Diz-me, tu és Frei Francisco de Assis?”. São Francisco respondeu que sim. “Então te esforça, disse o aldeão, por ser tão bom como és tido por toda gente, porque muitos têm grande fé em ti. Então, eu te admoesto que em ti não haja outra coisa senão o que o povo espera”.

Para Frei João, já em vida São Francisco demonstrava o que nós entendemos como santidade. “Santo não é apenas estarmos nos altares das igrejas, mas a santidade começa aqui quando temos esse cuidado e zelo pelos outros. Francisco tinha isso. Já em vida ele deixava essa marca de santidade”, observou.

“Precisamos recuperar aquilo que o povo espera de nós, franciscanos. Mesmo sem estar vestido com o hábito marrom, temos de ser reconhecidos pelos gestos e atitudes”, ensinou. Na mesma linha, o frade lembra que Francisco propõe que o nosso modo de ser seja evangelizador. “É o que o Papa Francisco pede quando diz uma ‘Igreja em saída’. E Francisco entendeu isso lá atrás. Ele já entendia o que era ‘Igreja em saída’ na Idade Média. É fazer-se presença na vida das pessoas”, explicou.

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“O primeiro passo de Francisco para entender o Evangelho é desapegar-se de tudo aquilo que pode condicionar o modo de ser. O Evangelizar-se de Francisco é justamente esse: o desapego. E passa, então, dialogar com tudo e com todos. Ele não tem nada para chamar ‘de seu’ e passa a dialogar com todas as realidades, sobretudo com os pobres. O leproso não tem nada para ‘chamar de seu’. Francisco é o homem do diálogo. Ele não se sente maior do que os outros, mas menor. Por isso ele vai dizer na Regra que se ‘chamem menores’. E devem estar sempre abaixo dos outros. Não quer que estejam acima dos demais. Mas que sejamos instrumentos para que todos cheguem a Deus. Por isso, Francisco é esse grande irmão do diálogo com todos, com todas as realidades”, acrescentou o frade.

Francisco sabe dialogar com todas as crenças. “Quando ele vai ao sultão pela primeira vez, ele não vai para falar de Deus, mas para ser uma presença simplesmente. Ele não impõe uma ideia de Deus. Mas ele acata a ideia que o diferente tem de Deus. Com isso, Francisco oferece o que tem de melhor, a presença, e passa a conviver com o sultão por alguns dias. E aí começa o que sonhamos hoje e celebramos muitas vezes: o diálogo religioso ou inter-religioso”, destacou.

Segundo o frade, Francisco é aquele que abraça o mistério da cruz nessa demonstração de coragem e de fé inabalável. “Francisco não quer o Cristo doce. Francisco quer abraçar o Cristo humano, o Cristo da cruz, que sofre, que padece e ressuscita. Ele abraça o mistério da Cruz e chora por isso. Ela sabe  que a dor do Cristo é a dor do povo dilacerado”, diz.

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RENÚNCIA HOJE

Para Frei João, a graça mais preciosa que Francisco recebe é a da renúncia. “Renunciar é uma expressão que não cabe nos nossos dias. Não é cabível renunciar hoje a nada. Quanto mais pudermos aglomerar,  ter, possuir, é melhor. Criou-se em nós a ideia de estarmos seguros por coisas apenas. Renunciar não cabe mais no nosso vocabulário, principalmente dos mais jovens. Jesus vai dizer, e Francisco vai entender muito bem o recado: ‘Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo’. E isso que Francisco faz. Ele escreve uma nova história com sua renúncia”, ensinou, perguntando: “E nós, que história estamos escrevendo?”.

Muitos gostam de ver a imagem, muitas vezes, romântica de Francisco com os animais. Mas segundo o frade, Francisco renúncia ao domínio sobre essas criaturas e pede para deixar as criaturas serem simplesmente criaturas. “A fraternidade universal é resultado deste modo de ser pobre de Francisco. Sentia-se irmão porque acolhia a todos sem interesse”, disse o frade, criticando a indústria Pet, uma das mais lucrativas, que faz o contrário de Francisco. “Francisco compreende a criação como sacramento da presença de Deus entre os seres humanos. A criação é o caminho para chegar a Deus, a oportunidade para reverenciar Aquele que nos dá tantos bens”, frisou.

pvf_210417_7 “A ecologia em Francisco significa reconciliação e comunhão com as criaturas, consigo mesmo e, por fim, com Deus”, ressaltou.

Para o frade, Francisco também é o irmão que cuida dos irmãos. “O guardião não é dono, mas o animador conventual. É o que faz o serviço do lava-pés”, lembrou.

Frei João leu trechos da “Carta da Terra” e deixou para a reflexão neste sábado a pergunta: “Que gestos nós podemos fazer para que a natureza não pereça como denuncia a Carta da Terra?”

MOMENTO MARIANO

Frei Alvaci Mendes da Luz, coordenador do Pró-Vocações, conduziu o Momento Mariano com a recitação da Coroa Franciscana. Devido à chuva que caiu durante todo o dia em Agudos, a procissão luminosa acabou sendo feita nos amplos corredores do Seminário. Frei Alvaci lembrou a importância de Maria no plano de salvação e recordou que neste ano celebramos os 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida e os 100 anos dos milagres em Fátima.

Frei Alvaci lembrou de colocar a memória dos benfeitores falecidos nesta celebração, especialmente a mãe de Frei João Francisco e Mária de Fátima, que faleceu há seis meses, e a mãe de Isabel Silva(com a imagem na foto), falecida há dois meses.

A procissão, que teve sete paradas conforme os mistérios rezados, terminou na Capela do Seminário.

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 A CELEBRAÇÃO DE DONA ALICE

A sorocabana Dª Alice Teixeira Rodrigues viveu um dia de muita alegria ao celebrar 80 anos. “Não tinha ocasião melhor para celebrar meu aniversário”, disse Alice, que gosta de fazer paródias e não se cabia de contentamento de ver suas composições mixadas. “Foi um presente de minhas amigas”, disse, apontando sua sobrinha e a benfeitora Eunice.

O GESTO CONCRETO DOS BENFEITORES

No dia 22, os benfeitores do Pró-Vocações e Missões Franciscanas tiveram um dia ecológico. E a data não poderia ser mais propícia quando se celebra o Dia da Terra. Os benfeitores participaram da Oração da Manhã na Capela do Seminário, conduzida por Frei Alexandre Rohling, e depois seguiram em procissão até a lateral do campo de futebol, onde foram plantadas três mudas de cedro como gesto concreto neste dia em defesa da Mãe Terra. O cedro é conhecido por ser uma madeira uniforme, lisa e lustrosa, e a casca desta árvore tem uso medicinal, pois é utilizada em casos de úlceras e feridas.

Antes de entrar no tema que iniciou na sexta-feira: “Francisco, o irmão universal”, Frei João Francisco da Silva, apresentou o vídeo “A Ilha”, uma animação bem humorada, divertida e crítica, que trata de educação no trânsito e também aborda a questão ambiental, bem como os problemas de uma sociedade moderna. Um homem naufraga na cidade ao atravessar uma avenida e fica preso pelo trânsito. Ele espera para poder atravessar novamente por horas, dias, semanas…

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Segundo o frade, no dia do descobrimento do Brasil e no Dia da Terra, “o nosso gesto de plantar aquelas árvores simboliza exatamente isso: é possível fazer e tornar as coisas diferentes. Acho que o vídeo também sintetiza um pouco isso”, disse.

“As soluções para enfrentar problemáticas ambientais não são tão complexas assim, bastam medidas simples e gestos pequenos para colaborar com esse sonho de Francisco, que é o nosso sonho, que é o sonho de Deus desde o início da criação.  As futuras gerações têm o direito de gozar da natureza e de seus recursos como nós estamos fazendo até este momento. Mas tudo depende de nossos gestos e atitudes. Gestos concretos, sobretudo, e não apenas ficarmos em devaneios”, enfatizou Frei João.

Segundo o frade, o apelo de Francisco por uma fraternidade universal é urgente. “Isso me faz lembrar também daquela história de dois meninos muito pobres. O irmão mais velho carregava o menor, pois estavam famintos e viviam na pobreza. Vem alguém ‘lá de cima’ e diz para o menino mais velho: ‘Ele é muito pesado pra você! Largue-o no chão!’ O irmão mais velho responde: “Não moço, ele não é pesado não. Ele é meu irmão!”. Então, enquanto nossos irmãos se tornarem pesos ou enxergarmos eles como pesos, não encontraremos soluções para as problemáticas que estão aí e para as novas que estão surgindo. Daí, então, esse grande apelo da ‘Carta da Terra’ para nos tornamos responsáveis por tudo aquilo que está diante de nossos olhos. Nós temos parte. E como diz a placa de caminhão: ‘Não sou o dono do mundo, mas sou o filho do dono do mundo'”, ilustrou.

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Devemos recuperar o espírito de pertença a essa grande Casa Comum. “Vamos organizar juntos a casa”. A responsabilidade universal é necessária, enfatizou o frade.

Frei João lembrou que o Papa Francisco na Laudato Sí nos provoca com o seu otimismo: “A esperança convida-nos a reconhecer que sempre há uma saída, sempre podemos mudar de rumo, sempre podemos fazer alguma coisa para resolver os problemas”, escreve no capítulo 61 da Encíclica. Frei João falou ainda da ecologia integrada que o Papa Francisco insiste em sua Encíclica. “O testemunho de Francisco mostra-nos também que uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contato com a essência do ser humano”, diz o Papa na Laudato Sí.

Para Frei João, não basta saber o que é e como fazer, mas é preciso dar passos: 1. Avaliação de nosso estilo de vida, 2. Discernir um novo estilo de vida, e 3. Viver em novo estilo de vida. “Francisco de Assis nos inspira na pedagogia do cuidado, cooperação, responsabilidade coletiva com uma nova visão de mundo e um novo coração”, completou Frei João.

Antes do almoço, os benfeitores pararam um pouco para a foto oficial.

 

MISSA DE AÇÃO DE GRAÇAS

O Retiro dos Benfeitores do Pró-Vocações terminou com a Missa em Ação de Graças, às 18 horas, e com uma festa junina, que começou às 20 horas. Frei João Francisco da Silva, o pregador deste encontro, presidiu a Celebração Eucarística e lembrou que a liturgia deste Domingo da Misericórdia apresenta a nova comunidade que nasce com a fé no Ressuscitado.

Segundo o celebrante, do amor pelo Ressuscitado nasce a nova comunidade que é a Igreja de Cristo. “E ela tem justamente a missão de revelar essa novidade trazida pelo Ressuscitado”. Ao citar o episódio de Tomé no Evangelho, Frei João recordou que o apóstolo estava ‘fechado em si’ e não se abriu para o Ressuscitado. Ele relutou em acreditar, mas quando se convenceu, reconheceu Jesus como Senhor e Deus, exclamando: “Senhor meu e Deus meu!”

Segundo o celebrante, naquele ambiente de insegurança, a comunidade não deixou de rezar e celebrar a Eucaristia. Por isso, segundo o frade, quando a dificuldade vier, não devemos nos afastar de nossos irmãos.

Durante o ofertório, Frei Alvaci promoveu um dos momentos mais emocionantes da celebração. Ele revelou que algumas pessoas perguntaram a ele porque não tinha nesta celebração as cestinhas para doações. Segundo o frade, a maior doação era a vida dos benfeitores e convidou a todos a se juntarem ao celebrante no altar, onde permaneceram até a comunhão.

No momento de ação de graças, Frei Alvaci não poupou agradecimentos aos benfeitores pela fidelidade e compromisso com este serviço em prol das vocações na Província. Para finalizar, leu um acróstico em gratidão aos benfeitores, escrito por Frei Walter Hugo de Almeida.

missa_220417_2Bendito seja Deus que os fez nossos irmãos,

E pra ajudar a Igreja de nosso Senhor;

Nos deu vocês e na união dos corações,

fazemos hoje, sim, muitas canções de amor!…

E a Província em sua missão de serviço,

iluminada pela sua prece linda,

traz as forças e os dons, o vigor e o viço,

o amor de Deus, que nos traduz em Graça infinda…

Restituição só Deus, certo, lhes dará,

e em comunhão a Província ora – Tudo anil!…

Sempre unido ao Pró-Vocações se alegrará,

para o bem do reino, da Igreja e do Brasil.

Recebam nossas bênçãos, nossa gratidão,

o amor de todos e de cada um de nós,

Vocês, companheiros desta estrada de irmão,

o amor do reino, obedecendo à Santa Voz.

Cantem, sim, sempre inventem novas primaveras,

amem sempre, palmo a palmo, o chão da estrada,

cantem, sim, sempre inventem novas primaveras,

Ousem levar sua oblação, bela e sagrada,

e felizes vão, apontando novas eras!…

Seja o Senhor bendito para sempre! Amém!

Pedro e Elisabeth, o casal que estará completando 50 anos de casamento no dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora Fátima, foi chamado pelo celebrante para receber uma bênção especial.

Isabel, pelos benfeitores, agradeceu aos frades pela acolhida e pelos ensinamentos. “Os frades nos conquistam pelo carinho e não por imposições. Levamos muitas lições deste retiro. Vocês estarão sempre nas nossas orações”, disse, pedindo para rezar uma Ave Maria.

O retiro teve na parte da tarde um momento com Frei Alexandre Rohling, que apresentou aos benfeitores a Província da Imaculada Conceição, suas fraternidades, paróquias e casas de formação, assim como a Missão de Angola.

O Retiro terminou com uma Festa Junina com direito a fogueira, quentão, pipoca, doces…. Frei Alexandre Rohling não parou um só minuto e garantiu a animação dos cerca de cem benfeitores, funcionários e frades que se juntaram para a festa de despedida. Todos receberão a bênção do envio neste domingo, logo após o café da manhã.

Moacir Beggo

  • Vilma Fischer Mantovani

    Boa noite! eu participei do retiro me sinto muito feliz parabens a todos ! paz e bem!

    • erica augusto

      Que ótimo! Paz e Bem!